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O
turismo, na contemporaneidade, tem se tornado de forma avassaladora
um dos maiores e melhores negócios, apresentando índices
de crescimento progressivo anuais, tanto em países desenvolvidos
quanto em subdesenvolvidos e em estágio de desenvolvimento.
Esse negócio – visto por alguns autores como uma verdadeira
indústria, por outros como um fenômeno de massa e ainda,
por outros, como uma nova disciplina do conhecimento –, segundo
estudos realizados pela Organização Mundial do Turismo
(OMT), ainda será marcado em todo o planeta, durante muito
tempo, pela marca do turismo de sol e mar. Entretanto, paralelamente,
determinadas modalidades de turismo começam a despontar e
a crescer – quantitativa e qualitativamente – mais que
o conhecido turismo de sol e mar. Atendendo a públicos diferenciados
e caracterizados por fluxos não tão numerosos de pessoas,
modalidades como o ecoturismo ou turismo de natureza, o de aventura,
o religioso ou místico, o gastronômico, o de eventos
ou de negócios, o rural e o cultural vêm ganhando espaço
no cenário mundial e nacional.
O
Rio Grande do Norte, nesse sentido, desponta como um dos estados
da federação com grande potencial para a prática
do turismo cultural, haja vista o seu diversificado acervo de bens
patrimoniais. Para que se possa mensurar esse acervo, um levantamento
preliminar e com forte ênfase na capital do estado, desenvolvido
pelo Projeto Patrimônio Cultural Potiguar em Seis Tempos,
executado pelo Instituto de Formação e Gestão
em Turismo do Rio Grande do Norte e Fundação José
Augusto no ano de 2006, resultou na catalogação de
68 bens arquitetônicos, 77 bens móveis, 435 imagens
sacras, 1.306 peças museológicas, 1.000 obras de arte
e cerca de 150 manifestações do patrimônio imaterial.
A
preocupação em utilizar esse acervo patrimonial com
finalidades turísticas não é hodierna. Observemos
que em 1997, época em que foi elaborado o Plano de Desenvolvimento
Sustentável do Rio Grande do Norte atualmente em vigor, uma
das estratégias prioritárias para a superação
da crise e das dificuldades sociais, dentro do Programa de Dinamização
e Reestruturação da Base Econômica, foi a alocação
de um Programa de Desenvolvimento do Turismo. Programa esse que
contava, dentre os subprogramas e projetos elaborados para alcançar
os objetivos propostos, com o incentivo à implantação
de infra-estrutura de apoio para o turismo ecológico e cultural,
na capital e no interior do estado.
Entre
o final dos anos 90 e o início da década seguinte,
as oficinas e encontros oriundos de projetos do Ministério
do Turismo realizados em municípios do Rio Grande do Norte
demonstraram que uma de suas regiões, em particular, demonstrava
forte vocação para o turismo cultural, o Seridó.
Essa idéia foi corroborada quando de um esforço de
sistematização de idéias visando à superação
da crise vivida pela mesma região do Seridó, através
da catalisação dos interesses do Governo do Estado
do Rio Grande do Norte, Instituto Interamericano de Cooperação
para a Agricultura (IICA) e Conselho de Desenvolvimento Sustentável
do Seridó (CDS): a construção do Plano de Desenvolvimento
Sustentável do Seridó (PDSS), editado em 2000. O PDSS,
iniciativa pioneira do estado no que diz respeito a instrumentos
de planejamento, caracterizou o Seridó como uma região
singular, distinguível das demais por uma série de
recorrências discursivas (a hospitalidade, a religiosidade,
a educação, a economia, a tradição,
por exemplo) que perfazem a imagem de um ser seridoense antes do
que possa ser-lhe auferido o título de norte-rio-grandense.
Além disso, apontou o artesanato e o turismo como tendências
recentes da dinâmica econômica no Seridó e propôs
a criação do Programa Cultura, Lazer e Turismo, voltado
para “promover o desenvolvimento auto-sustentado do Seridó,
mediante o fortalecimento integrado da cultura, do turismo e do
lazer”. A filosofia desse programa assenta-se no pressuposto
das práticas culturais dos seridoenses tomadas como bens
(materiais e imateriais) factíveis de serem absorvidos/consumidos
pelo turismo, sobretudo pelo Turismo Cultural.
A
materialização de parte das diretrizes indicadas pelo
PDSS ocorreu a partir da assinatura de convênio entre o SEBRAE/RN
e a Secretaria de Estado do Turismo, que gerou a confecção
do Plano de Turismo Sustentável do Rio Grande do Norte –
Roteiro Seridó, em 2004. Esse plano, que tem como meta uma
proposta de intervenção visando o apoio ao desenvolvimento
turístico da região do Seridó, tenciona desenvolver
um conjunto de ações que culminem no desenvolvimento
regional, tomando como premissa a sustentabilidade. Contando com
a assessoria da CREATO – Oficina de Roteiros, o plano consubstanciou-se
no Roteiro Seridó, gerido pelo SEBRAE/RN e desenvolvido em
parceria com o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, SENAC,
Banco do Nordeste, CEFET/RN, universidades e faculdades públicas
e privadas, além das prefeituras dos municípios atingidos
com a roteirização nessa primeira fase (Acari, Caicó,
Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Jardim
do Seridó e Parelhas).
Esse
audacioso projeto, que toma como princípios norteadores quatro
grandes atrativos do Seridó – a caatinga e a arqueologia;
a religiosidade e a fé; a cultura e o artesanato; a gastronomia
– estabeleceu como metas a serem cumpridas a captação
de fluxo turístico para cinco roteiros: ecocultural, de aventura,
pedagógico, da melhor idade e arqueológico. Roteiros
que se intercruzam nos sete municípios da primeira fase projeto,
cuja conexão promete, a curto e médio prazo, geração
de emprego e renda e inúmeros empregos diretos/indiretos
para os seridoenses e para as pessoas envolvidas na roteirização.
O Roteiro Seridó encontra-se em pleno funcionamento e suas
ações podem ser acompanhadas pelo portal http://www.roteiroserido.com.br.
O
Curso de Especialização Lato-Sensu em Turismo e Patrimônio
Cultural, portanto, vem atender à demanda de profissionais
com conhecimento suficiente para desenvolverem ações
ligadas ao turismo cultural e, de quebra, à conservação
do patrimônio cultural do Seridó e do Rio Grande do
Norte. Apresenta-se como crucial para a formação de
recursos humanos comprometidos em atuar na área do turismo
embasado nos princípios da ética, da sustentabilidade
e do desenvolvimento regional, no momento em que começam
a avolumar-se, sobretudo nos períodos festivos, os grupos
de turistas e visitantes nas cidades do Seridó Potiguar.
Dessa forma, o curso destina-se prioritariamente para os graduados
que residam ou que pretendam trabalhar tendo como locus a região
do Seridó, embora pessoas de outras regiões do estado
também sejam bem-vindas, mesmo que com pretensões
a desenvolverem projetos em outros territórios.
Do
ponto de vista institucional, o curso demonstra a preocupação
da Faculdade do Seridó – FAS, com a constituição
de um corpo técnico que possa atuar na e para a região,
através do seu interesse individual e em prol do desenvolvimento
regional. Aposta, dessa forma, na gestão compartilhada do
conhecimento, trazendo para a cidade de Currais Novos profissionais
que atuam em diversas instituições de ensino superior
do estado, engajados com as causas patrimoniais e sua necessária
interface com a práxis turística. Discussão
e crítica dos aportes teóricos e o indispensável
conhecimento prático da realidade regional, portanto, encontram-se
entre os alicerces que conformam o Curso de Especialização
Lato-Sensu em Turismo e Patrimônio Cultural.
OBJETIVOS
O
curso tem como objetivo principal o de capacitar profissionais
para atuarem em atividades ligadas ao Turismo Cultural, tendo
como locus o Rio Grande do Norte.
Como desdobramento de sua meta primordial, ainda tenciona fornecer
e compartilhar base teórica e empírica para o desencadeamento
de ações sustentáveis de uso e proteção
do Patrimônio Cultural; desenvolver habilidades e competências
para elaborar, implantar e atuar em projetos direcionados ao uso
e proteção desse mesmo patrimônio e, por fim,
propor parcerias entre órgãos públicos e
privados envolvidos no debate sobre o desenvolvimento de atividades
de exploração comercial, de maneira responsável,
dos bens culturais de interesse coletivo e individual.
PÚBLICO ALVO
Graduados
em História, Geografia, Ciências Sociais, Turismo,
Antropologia, Arqueologia, Arquitetura, Letras, Pedagogia e áreas
afins, bem como profissionais de instituições públicas
e de empresas. O perfil esperado dos egressos é o de especialistas
com substancial formação teórico-empírica
que tenham competências para atuar no campo do Turismo Cultural,
guiados pelo espírito da ética, da sustentabilidade
e do desenvolvimento regional, respondendo, assim, aos anseios
do mercado de trabalho e contribuindo para a proteção
do patrimônio cultural.
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ESTRUTURA CURRICULAR
Metodologia
do Trabalho Científico - 60 h/a
Didática
do Ensino Superior - 60 h/a
Introdução ao Turismo - 20 h/a
Introdução
aos Estudos Patrimoniais - 20 h/a
Turismo e Patrimônio Cultural - 20 h/a
Patrimônio cultural, educação e turismo - 20
h/a
Patrimônio Arquitetônico - 20 h/a
Patrimônio Arqueológico - 20 h/a
Patrimônio Museológico - 20 h/a
Patrimônio Imaterial - 20 h/a
Gestão em Eventos Culturais - 20 h/a
Ecoturismo
e desenvolvimento sustentável - 20 h/a
Roteiros Turísticos - 20 h/a
Seminário
de Pesquisa - 14 h/a
Seminário
Temático I - 12 h/a
Seminário Temático II - 12 h/a
Seminário
Temático III - 12 h/a
Trabalho de Conclusão de Curso
INVESTIMENTO
O
curso tem a duração de 20 meses (17 meses destinados
a aulas presenciais e 3 para a conclusão do trabalho final),
com início previsto a partir da formação
de turma com no mínimo 35 alunos. O investimento a ser
feito é de 20 parcelas de R$ 180,00 (cento e oitenta reais),
sendo a primeira no ato da matrícula e as demais até
o 5º dia útil dos meses seguintes.
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